
sábado, 27 de junho de 2009
Maratona Literária em Porto Alegre
É pessoal, depois de uma bela introdução do livro feita pelos grandes mestres e professores da literatura gaúcha Luis Augusto Fischer e Flávio Azevedo, Fischer começa a folhear as primeiras páginas do livro Grande Sertão, levando leitores e apreciadores do Romance à sonhar e viver este momento único! Logo, Azevedo dá continuidade à leitura até chegada a hora de passar a "bola" - nas próprias palavras dele - para o grupo de leitores, aqui MARATONISTAS.
Foi dada a largada para a Maratona Literária 3!
Depois do sucesso das duas primeiras edições do evento, foi dada a largada hoje 26/06 às 19h para a Maratona Literária 3, no Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre*. No momento, está apresentando-se a Banda Municipal da Capital. Em seguida, teremos o desfile do Clube de Reciclagem Morro da Cruz com o tema " Casamento na Roça" - já que estamos na semana das comemorações juninas. Para contatar a ong Morro da Cruz (daniellsinistro@hotmail.com ou 3318-1647).Aah!! Lembrando que, além da boa e rica leitura do Grande Sertão, há uma programação especial como a Estante/Instante de Troca de Livros e arte à vontade do Espaço Livre do Atelier. Os interessados poderão ainda participar do Correio Literário, e se cadastrar como usuários da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, que está aberta para visitação.E pra matar aquela fome danada, afinal ninguém é de ferro, preparamos o bom e amigo chimarrão com apoio da Vier, muuiito Café do Mercado, quentão e comidinhas.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
ANÁLISE DO CONTO "Capítulo dos Chapéus" - Machado de Assis
Quando Mariana decide reagir ao fato do marido não aceitar um pedido seu, que vinha de uma observação do pai, um tradicionalista "aferrado aos hábitos", de trocar o chapéu velho, que, segundo o sogro, parecia "torpe" em comparação "com outros chapéus altos de homens públicos" , a sua primeira atitude é a de sair e procurar uma amiga, Sofia. Esta, sábia como o próprio nome e a ave de Minerva (e por duas vezes ela é comparada não à coruja, mas ao gavião, portanto, também selvagem), faz a sua primeira observação dizendo que "a culpa não era do marido". Obviamente, querendo dizer-lhe que era dela, por aceitar voluntariamente a servidão e não lutar para pôr fim àquela relação entre senhor e escravo. Sofia, em sua casa, já havia invertido a relação e era a sua vontade que imperava: "Não lhe peço uma cousa que ele me não faça logo; mesmo quando não tem vontade nenhuma, basta que eu feche a cara, obedece logo" . Era essa a "harmonia" nova que Sofia havia estabelecido em casa, e "Mariana ouvia com inveja essa bela definição do sossego conjugal. A rebelião de Eva embocava nela os seus clarins" . Nós veremos que essa simples inversão da ordem, com a mulher passando a freqüentar a rua e a Câmara dos Deputados, os lugares do público e da política, portanto, da universalidade, acabava tornando os dois, marido e mulher, criminosos aos olhos do outro (da consideração social), ela "mulher pública" (a prostituta) e ele doméstico (o corno manso), o que não resolvia o problema.
Um pouco adiante, Sofia, pelo fascínio que exerciam as suas palavras e atitudes, é comparada ao mesmo tempo ao demônio e a Bonaparte, aquele que, aos olhos de Hegel, teria promovido a síntese entre o particular e o universal, na figura do cidadão, o trabalhador-soldado: "Mariana aceitou; um certo demônio soprava nela as fúrias da vingança. Demais, a amiga tinha o dom de fascinar, virtude de Bonaparte, e não lhe deu tempo de refletir. Pois sim, iria, estava cansada de viver cativa.Luiz Roncari
Professor da FFLCH/USP
FONTE: http://www.scielo.brRESUMO DO CONTO: "Pai contra Mãe" - Machado de Assis
terça-feira, 24 de junho de 2008
CASTRO ALVES : POETA DA 3ª GERAÇÃO DO ROMANTISMO

Espumas Flutuantes é o título do livro escrito pelo poeta brasileiro Castro Alves. Publicado em 1870, constitui uma das obras essenciais da poesia condoreira (terceira geração do Romantismo brasileiro).
Os 53 poemas reunidos em Espumas flutuantes (1870) sintetizam todas as características inovadoras de Castro Alves. O título incomum transmite uma poderosa idéia de transitoriedade: o desalentado poeta sente sua vida esvair-se, como as espumas no mar agitado, frente à iminência da morte (de fato, ele viria a falecer menos de 1 ano após a publicação, em 1871). A antologia inclui poemas notáveis, como: O livro e a América, Ahasverus e o gênio, Mocidade e morte, Adormecida, Ode ao dois de julho, entre tantos outros.
A obra, única publicada pelo poeta em vida, foi acatada pela crítica com enorme admiração e respeito, consagrando Castro Alves, então estudante do 4º ano de Direito, no cenário literário brasileiro. Tal aceitação permitiu que seus trabalhos póstumo fossem compiladas, entre os quais está a monumental poesia épica Os Escravos (em que se destaca o famosíssimo poema O Navio Negreiro).
Castro Alves dedica sua antologia à memória do pai, o médico Antônio José Alves; da mãe, D. Clélia Brasília da Silva Castro (filha natural do Herói da Independência da Bahia, Major Silva Castro) e de seu irmão - todos prematuramente falecidos.
Versos flutuantes
No "Prólogo", Castro Alves pergunta "o que são na verdade estes meus cantos?", para adiante responder:
"Como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento, eles são filhos da musa - este sopro do alto; do coração - este pelado da alma. E como as espumas são, às vezes, a flora sombria da tempestade, eles por vezes rebentaram ao estalar fatídico do látego da desgraça(...)"
Em tom muitas vezes grandiloqüente, os versos surgem, como verdadeiros exemplares do Romantismo, eivados de carregadas figuras de linguagem.
É assim que relembra amores - consumados ou não - e desfere o ardor que o final da paixão com a atriz Eugênia Câmara lhe causara - uma "Immensis orbibus anguis", que: "Assim bebeu-te a vida, a mocidade e a crença / Não boca de mulher... mas de fatal serpente!..."
O estilo épico, revelado posteriormente em poemas como "Vozes d'África", surge na "Ode ao Dous de Julho" - referência à mesma data da Independência da Bahia na qual lutara ao avô.
Início: um canto à leitura
Antevendo a necessidade do incentivo à leitura no Brasil (e de Castro Alves afirmou Fausto Cunha era dotado de "um sentido divinatório que lhe insuflava soluções difíceis de esperar no seu tempo"), o poeta traz uma bênção a todos que dedicam-se a este labor: O LIVRO E A AMÉRICA, é o primeiro poema, de seu primeiro livro...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro cainda n'alma
É germe - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.
(...)
Bravo! a quem salva o futuro!
Fecundando a multidão!...
Num poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Conclusão
O livro reúne 53 poemas. Apesar da juventude, de ser o primeiro livro, revela um poeta amadurecido, consciente de sua capacidade e capaz de, ante seu "Aves de Arribação", colher o seguinte comentário de Eça de Queirós, quando lia-lhe o poema Eduardo Prado - interrompendo-o na altura dos versos "As vezes quando o sol nas matas virgens / A fogueira das tardes acendia...":
"Aí está, em dois versos, toda a poesia dos trópicos".
sábado, 7 de junho de 2008
Leituras Obrigatórias UFRGS 2009
Renascimento
"Lusíadas" (Canto I ao V) de Luís de Camões
Romantismo
"Espumas Flutuantes "de Castro Alves
"Iracema" de Jpsé de Alencar
Realismo
"Quincas Borba" de Machado de Assis
Contos: "O caso da vara", "Pai contra mãe", "O capítulo dos chapéus" de Machado de Assis
"O primo Basílio" de Eça de Queiroz
Modernismo
"Porteira Fechada" de Cyro Martins
"Estrela da vida Inteira" de Manuel Bandeira
"Fogo Morto " de José Lins do Rego
Literatura Contemporânea
"Antes do Baile Verde" de Lygia Fagundes Telles
"Dois Irmãos " de Milton Hatoun
"Concerto Campestre"de Luís Antônio de Assis Brasil
